Secretaria de Saúde do Ceará alerta para os cuidados com animais peçonhentos

Folha Belacruzense Noticias | terça-feira, junho 21, 2016 |

Os acidentes por animais peçonhentos, particularmente os acidentes ofídicos, foram incluídos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista das doenças tropicais negligenciadas que acometem, na maioria dos casos, populações pobres que vivem em áreas rurais. Em agosto de 2010, o agravo foi incluído na Lista de Notificação de Compulsória do Brasil, pelo alto número de notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), em que os acidentes por animais peçonhentos estão entre os agravos mais notificados.

No Ceará, entre 2007 e maio deste ano, foram notificados 28.402 acidentes por animais peçonhentos, 88,5% deles, no total de 24.663 casos, relacionados a escorpiões e serpentes, com 56 óbitos. As informações estão no boletim epidemiológico divulgado na última sexta-feira (10), pela Secretaria da Saúde do Estado. Este ano foram registrados 1.634 acidentes por animais peçonhentos. Em 72% dos acidentes (1.170) o animal agressor foi o escorpião, seguido da serpente, com 18% (300), abelha 4% (61), aranha 3% (47) e a lagarta 0,4% (7). No mesmo período três óbitos foram registrados, sendo 1 por serpente e 2 por aranha.



A melhor forma de evitar acidentes é adotar medidas de prevenção. Por isso é fundamental manter a casa e a área ao redor limpas, uma vez que o lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos destes animais. Também é importante ficar atento à limpeza de armários, já que ambientes escuros e úmidos servem de esconderijos para aranhas e escorpiões. Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meias-canas e rodapé, além de utilizar telas e vedantes em portas, janelas e ralos, são outras formas de evitar a presença dos animais peçonhentos. Moradores de área rural e trabalhadores da agricultura não podem deixar de usar luvas e botas ao entrar em matas ou plantações. A Secretaria da Saúde do Estado faz as seguintes recomendações para evitar acidentes com animais peçonhentos terrestres:

Proteção individual
- Utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas de raspa de couro e calçados fechados, durante o manuseio de materiais de construção (tijolos, pedras, madeiras e sacos de cimento); transporte de lenhas; movimentação de móveis; atividades rurais; limpeza de jardins, quintais e terrenos baldios, entre outras atividades.
- Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer.
- Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nestes lugares, usar um pedaço de madeira, enxada ou foice.
- No amanhecer e no entardecer, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins, pois é nesse momento que serpentes estão em maior atividade.
- Não mexer em colmeias e vespeiros. Caso estas estejam em áreas de risco de acidente, contatar a autoridade local competente para a remoção.
- Inspecionar roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usá-los.
- Afastar camas e berços das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários.

Proteção da população
- Não depositar ou acumular lixo, entulho e materiais de construção junto às habitações.
- Evitar que plantas trepadeiras se encostem às casas e que folhagens entrem pelo telhado ou pelo forro.
- Controlar roedores existentes na área.
- Não montar acampamento próximo a áreas onde normalmente há roedores (plantações, pastos ou matos) e, por conseguinte, maior número de serpentes.
- Não fazer piquenique às margens de rios, lagos ou lagoas, e não encostar-se a barrancos durante pescarias ou outras atividades.
- Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede e terrenos baldios (sempre com uso de EPI).
- Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés.
- Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos.
- Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros;
- Combater insetos, principalmente baratas (são alimentos para escorpiões e aranhas);
- Preservar os predadores naturais dos animais peçonhentos.

Na série histórica, foram notificados 18.494 casos (65,1%) de intoxicação por ferroada de escorpião. Desses, e 6.169 caos (23,4%) de intoxicação por picada de cobra. Os acidentes causados por serpentes apresentaram elevação durante o mês de julho, enquanto que, por escorpião, o aumento ocorre entre outubro e janeiro. Dos 28.402 casos notificados na série histórica, 18.737 (64,6%) ocorreram em zona.  urbana e 8.433 (29,7%) na zona rural. Para o acidente com serpentes 6.259, ou 86,8% dos casos, ocorreram em zona rural. A maioria dos óbitos é relacionada a acidentes com serpentes. Dos 56 óbitos registrados a partir de 2007, 33 (55,4%) foram em consequência de picada de cobra e 14 (25%) por ferroada de escorpião, 7 (12,5%) por acidente com aranha e 4 (7,1%) por picada de abelha. Dos casos registrados, 26.117 (92%) evoluíram para a cura e destes, 17.112 (65,5%) foram atendidos em até 3 horas depois da picada do animal agressor.

As mulheres representam 51,2% dos casos de acidentes por animais peçonhentos notificados entre 2007 e 2016* sendo mais acometidas por escorpião (63,4%), lagarta (56,6%) e aranha (52,4%). Os homens representam 48,8% dos acidentes registrados, em sua maioria por serpente com 79% dos casos, seguido por abelha (63,4%). Ao analisar a faixa etária, observa-se que a maioria dos casos envolvendo animais peçonhentos nos últimos 10 anos ocorreu em idades entre 20 e 49 anos, concentrando 50,2% dos casos (14.257). Em relação à ocupação, o estudante (23%), o agricultor (21,2%) e a dona de casa (15,5%) foram os que mais registraram acidentes por animais peçonhentos. Dentre os casos registrados de acidente por serpente 84,4% (2.750) ocorreram em agricultores e 21,5% (699) em estudantes. A dona de casa representou 18,9% dos casos de acidentes por escorpião (2.613), abaixo apenas dos casos registrados em estudantes (22,5%).


Fonte: Site do Governo do Estado do Ceará


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