Irrigação consome 62% da água no Ceará; 13% vai para a indústria

Folha Belacruzense Noticias | sexta-feira, fevereiro 06, 2015 |

O Estado segue tendência nacional e destina 62,1% da água bruta para a atividade agrícola, em grandes projetos ou plantações locais. Com a estiagem, apenas três dos 14 perímetros irrigados estão sem restrições. A agricultura é responsável pelas maiores retiradas de água dos mananciais do Ceará.
O percentual do recurso destinado à irrigação no Estado é de 62,1% - seja para grandes projetos ou pequenos agricultores. O número não reflete o que ainda pode ser perdido com o desperdício. A segunda maior demanda da água bruta é o abastecimento urbano (18,6%), seguida pelos fins industriais (13,5%). O retrato da Agência Nacional de Águas (ANA) é de publicação lançada em 2012 e tem variações mínimas a cada novo estudo, de cinco em cinco anos.
A destinação da água no Ceará não diverge da tendência nacional, analisa João Abner Guimarães, doutor em Recursos Hídricos e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Irrigação, centros urbanos e indústria também têm as maiores retiradas de água bruta no País. Quando a água é pouca, a irrigação deve ser a primeira atividade afetada para priorizar os consumos humano e animal, explica.
Onze dos 14 perímetros irrigados no Ceará já tiveram abastecimento alterado devido à estiagem. Seis já precisaram parar a produção, enquanto outros cinco ainda operam em racionamento. A intervenção não deixa de trazer prejuízos. Segundo Laucimar Loiola, diretor de produção do Dnocs, o perímetro Tabuleiro de Russas já está com 3 mil hectares parados. “E quando você produz menos, o aumento dos preços vem como consequência”, diz.
Desperdício
Sistemas defasados de irrigação agravam a falta de água em tempos de escassez.Pelo menos oito perímetros irrigados precisam renovar os sistemas de irrigação para economizar a água retirada. Os pedidos junto ao Ministério da Integração já resultaram em obras de modernização em Icó-Lima Campos (em andamento) e duas licitações para os perímetros Várzea do Boi e Ayres de Souza. Conforme Laucimar Loiola, há propostas de conseguir recursos para readequar cinco projetos: Forquilha, Ema, Curu-Pentecoste, Curu-Paraipaba e Morada Nova.O POVO solicitou entrevistas com representantes da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) e da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) para ter informações sobre os usos múltiplos da água durante o período de estiagem no Ceará. As solicitações foram enviadas à Coordenadoria de Imprensa do Governo na segunda-feira, 2. A assessoria informou ao O POVO que as entrevistas são concedidas apenas por Francisco Teixeira, titular da SRH, que esteve em Brasília durante a semana.
Saiba mais
A terceira atividade que mais utiliza água bruta no Ceará é a indústria. Restrições no abastecimento para este setor são necessários de acordo com o caso, defende o professor João Abner Guimarães. “É preciso analisar que tipos de prejuízo cada empresa causa e estimular o uso racional”.
Proporcionar o múltiplo uso das águas é um dever da gestão dos recursos hídricos, segundo a lei federal 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos.
A Assembleia fará debate sobre a estiagem no próximo dia 27. Na reunião, serão discutidas as ações governamentais.

Fonte: Jornal O Povo Online.

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